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Livros

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O erotismo/pornografia literário apareceu acidentalmente para mim, foi na época da conclusão da faculdade, eu tinha uma ideia para a monografia: ia fazer uma análise mítica de Salomé, do Oscar Wilde e uma amiga iria fazer a análise de Cartas de um Sedutor, da Hilda Hilst, cada uma fez seu projeto, ambos foram aprovados, decidimos que faríamos nas férias de julho, já que a defesa seria em novembro, uma ajudaria a outra e tudo mais, no final de junho fomos ao CONUNE, quando voltamos, ficamos sabendo que a defesa tinha sido antecipada para agosto, já era começo de julho, período de provas nas escolas em que trabalhávamos, conversamos com a nossa orientadora(era a mesma) e ela aconselhou a fazermos juntas, abandonei o meu projeto e juntei-me a ela. Fizemos a bendita da monografia em duas semanas e meia, uma pressão danada, mas deu certo no final. Essa introdução toda é só para mostrar a bibliografia que venho montando desde então, eis os livros:
  1. Personas Sexuais, Camille Paglia - MUITO bom, sério, as análises e as inferências que a Paglia faz acerca de autores consagrados e de como o erótico/pornográfico aparece em suas obras são esclarecedoras, mesmo aquelas com as quais não concordo, servem para mostrar uma outra visão. Recomendo.
  2. Erotismo e Poder na Ficção Brasileira Contemporânea, Rodolfo Franconi - um breve histórico de como o erotismo é abordado na nossa ficção e porque ele é considerado uma forma de poder, ajudou muito quando estávamos escrevendo.
  3. A Arte de Amar, Ovídio - O autor ensina como se portar quando se está amando ou quando se quer conquistar alguém, o interessante é que ele não esquece de nada, vai desde noções de higiene até o tipo de roupa que cada um deve vestir, como se sentar, etc. Ah, "ensina" também como "desamar" alguém (não garanto que funciona, mas ajuda).
  4. Poesia Erótica, tradução de José Paulo Paes - Um dos meus favoritos, tem textos eróticos/pornográficos em várias línguas, o legal é que ele põe o original e em seguida a tradução, fora que tem uma introdução foda.
  5. O Amante, Marguerite Duras - Não sei a palavra exata para definir, algo entre poético e rascante, a descoberta do sexo por uma adolescente, filha de colonos na Indochina, junto com um amante chinês, desde a maneira como ele faz com que ela seja vista(prostituta) quanto ao jeito que ela o faz sofrer por amor, tudo no livro leva em conta essa dubiedade e de como a relação amor/sexo/fidelidade é perigosa.
  6. As 100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal, organização de Flávio Moreira Costa, - excelente compilação, tem desde os Cantares bíblicos, passando pelos Sonetos de Aretino e chegando em Caio Fernando Abreu e Márcia Denser.
  7. A História do Olho, Georges Bataille - O que falar de um livro em que um prato de leite se torna algo excitante? Em que a dor é mostrada de maneira erótica e possível? Atiçou-me ainda mais a vontade de ler O Erotismo, do mesmo autor, infelizmente está esgotado há um bom tempo.
  8. Os 120 Dias de Sodoma, Marquês de Sade - Pornografia levada ao extremo, é um livro cansativo, repulsivo, doloroso, e ao mesmo tempo que faz com que você queira lê-lo é como se ele te empurrasse e dissesse que você não possui estômago para ele. Nunca terminei, mas sei que vou, ele está sempre me chamando.
  9. Contos Grotescos, Hilda Hilst - Contos divertidos, engraçados, o grotesco do título deve ser levado dessa maneira, algo esdrúxulo, seco e natural, a história de Filó é excelente. Leiam.
  10. Contos Eróticos, Dalton Trevisan - É uma aquisição recente, não li todos os contos ainda, só devo dizer que gostei dos que li.
  11. A Cama Redonda de Maria Beatriz: Fantasias e Fetiches, Maria Beatriz Soares - Também um livro novo, é mais leve do que o do Dalton, a linguagem também é diferente, tende em alguns contos para o intimismo, em outros para o visceral.
  12. As Onze Mil Varas, Guillaume Apollinaire - Vanguardista, mostra o sexo de maneira primal, instintiva, tem sadismo, masoquismo, mas não da maneira repulsiva dos 120 dias de Sodoma, provoca riso, diversão, até excitamento, mas não horror.
  13. A Filosofia na Alcova, Marquês de Sade - Diferente do 120 dias, esse é mais doutrinário, expõe a ideia e não os atos, é um livro a se considerar, ler, discutir e pensar.
  14. Do Desejo, Hilda Hilst - É minha autora favorita, os poemas desse livro é quase como uma radiografia de mim. "Tenta-me de novo. Obriga-me." Um dos versos que mais falam a mim. É sempre uma bofetada.
  15. A Casa das Belas Adormecidas, Yasunari Kawabata - Erotismo lírico, sutil, é etéreo e ao mesmo tempo quase palpável, não conseguiria explicar em poucas palavras.
Esses são os que estão comigo, mas ainda tem A Vênus das Peles, Sacher-Masoch; O Caderno Rosa de Lori Lamby, Estar Sendo, Ter Sido e Cartas de um Sedutor, Hilda Hilst; A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera e O Cortiço, Aluísio Azevedo.

Bawdy can be sane*

sábado, 3 de outubro de 2009

Sex contains all, bodies, souls,
Meanings, proofs, purities, delicacies, results, promulgations,
Songs, commands, health, pride, the maternal mystery, the seminal milk;
All hopes, benefactions, bestowals, all the passions, loves, beauties, delights of the earth,
All the governments, judges, gods, follow'd persons of the earth,
These are contain'd in sex, as parts of itself, and justifications of itself.
Walt Whitman - A Woman Waits for Me.
Sexo faz parte de minha natureza, embora assumir isso já tenha me causado alguns problemas. Há quem goste de futebol, eu gosto de sexo: ler, falar, discutir, fazer. Admiro-me de como muitos ainda ruborizam ao ouvirem algo que remeta a isso, outro dia numa das turmas em que leciono, os alunos ficaram cheios de dedo para falar "puta", e olha que era contextualizado, sem entrelinhas ou malícia. Há os que escondem a vergonha atrás das piadinhas, é um tanto quanto patético, envergonhar-se de falar eu até entendo, tem toda uma questão de criação e idéias incutidas pelo meio em que se vive, mas pagar de moderno e banalizar com piadinhas infames, ao meu ver, chega a ser pior. Por que não encarar como algo natural? Faz parte do homem, nascemos disso e precisamos, sim precisamos, disso. É claro que não é para sair falando de sexo com a primeira pessoa que aparecer no caminho, mas não faz mal nenhum aceitar que é natural e que quem está falando/lendo/discutindo não é um pervertido(a) que só quer foder com você.

* D.H.Lawrence - Bawdy can be sane.

Insônia

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Fiquei sem postar um tempo, vida conturbada, insônia, cansaço, tudo que escrevia tinha cara de bilhete suicida e eu não tenho mais idade pra isso né? Sinceramente? Preciso de coisas novas, algo que saia do roteiro filme/livro/academia/isolamento, mas o quê? Vontade de jogar tudo pro alto e sair andando sem rumo e sem pensar, às vezes chego a acreditar que meu mal é pensar. Quem foi mesmo que disse que ignorância é felicidade? Na atual conjuntura, me parece uma opinião acertada.


Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.

Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite —
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

Ah, o ópio de ser outra pessoa qualquer!
(...)
Que horas são? Não sei.
Não tenho energia para estender uma mão para o relógio,
Não tenho energia para nada, para mais nada...
Só para estes versos, escritos no dia seguinte.
Sim, escritos no dia seguinte.
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte.

Álvaro de Campos - Insônia

Espera

terça-feira, 28 de julho de 2009

Em stand-by até o fim do ano, torcendo para esse semestre passar voando, preciso de minha dose de cidade grande e de tudo que eu tenho por lá.
Viver na espera de umas poucas semanas é saudável? Pode ser, mas parece-me melhor que os comprimidos.

**********

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu.
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou.
Quanto quis, quanto não quis, tudo isso me forma.
Quanto amei ou deixei de amar é a mesma saudade em mim.

Álvaro de Campos - Sou eu

Fragmentos

sábado, 18 de julho de 2009

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir. *


Dos textos que ecoam em mim, esse é um dos mais fortes; é boa parte de minha vida, sinto-me mais sendo muitas do que sendo apenas vaso; cada pedaço, caco de mim tem sua história, que pode ou não ser real; às vezes chega a ser difícil distinguir o que vive interna do externamente. Em alguns momentos saber disso faz-me alegre, em outros tristes, e sigo assim, fragmentada.

*Álvaro de Campos - Apontamento
 
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