Fragmentos

sábado, 18 de julho de 2009

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir. *


Dos textos que ecoam em mim, esse é um dos mais fortes; é boa parte de minha vida, sinto-me mais sendo muitas do que sendo apenas vaso; cada pedaço, caco de mim tem sua história, que pode ou não ser real; às vezes chega a ser difícil distinguir o que vive interna do externamente. Em alguns momentos saber disso faz-me alegre, em outros tristes, e sigo assim, fragmentada.

*Álvaro de Campos - Apontamento

1 comentários:

rafa! disse...

É realmente forte, mas é bem bonito. Tão forte que mostra que o fundo do poço tem alçapão.

 
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